quarta-feira, 11 de março de 2015

Percebi que era você

Percebi que era você quando comecei a abrir exceções

Quando quis abrir mão de tantas outras paixões

Quando quis te incluir nos meus próximos verões

Quando cansei de querer proteções, de tentar fazer distinções, de ter medo de projeções.

Percebi que era você quando perdi aquela vergonha

Quando ri com sua baba na minha fronha

Quando a rotina não me pareceu tão medonha

Quando as férias foram boas mesmo sem passagem para Bolonha, Borgonha, Fernando de Noronha

Percebi que era você quando passei a confiar no destino

Quando pude falar de problemas de intestino

Quando comemorei por você não ser leonino

Quando soube que te amaria de qualquer jeito: girondino ou jacobino e até mesmo argentino

Percebi que era você quando parei de me sentir paradoxal

Quando não achei mau o seu hálito matinal

Quando fiz piada sobre a situação do meu abdominal

Quando quis assistir com você: Germinal, Atividade Paranormal, Super Xuxa Contra o Baixo Astral

Percebi que era você quando parei de depender da sorte

Quando um dia me flagrei com medo da sua morte

Quando quis segurar juntos os nossos passaportes

Quando nos vi felizes ao som de Pavarotti, de Slipknot, nos refrões do Grupo Pixote

Percebi que era você quando a cama ficou grande demais

Quando vi meu passado ficando para trás

Quando pensei em fugir, mas fui incapaz

Quando não nos comparei com outros casais, quando percebi meu peito em paz e ainda assim, queria mais

Percebi que era você quando vi despertar o melhor de mim

Quando vi que o melhor possível já é assim

Quando pensei em nós e tinha cheiro de jasmim

Quando me dei conta de que quero cultivar nosso jardim, escrever os nossos nomes em mandarim e viver uma história que não tenha medo do fim.

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